PMMA no glúteo foi proibido? Entenda a nova norma e os limites do ácido hialurônico

Principais tópicos
A Resolução CFM nº 2.461/2026 entrou em vigor em 2 de junho de 2026 e proibiu o uso médico do PMMA como preenchedor estético ou reparador.
A única exceção permite o PMMA para lipodistrofia relacionada ao HIV/aids, dentro do SUS e conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
A Anvisa enquadra preenchedores injetáveis como dispositivos médicos de risco III ou IV e exige respeito à região e ao volume aprovados.
Uma publicação de 2025 acompanhou 26 mulheres tratadas com ácido hialurônico glúteo, utilizando média de 40,4 mL e máximo de 100 mL.
Em 61 participantes, a proporção que ainda considerava os glúteos melhorados caiu de 80% aos seis meses para 40% aos 24 meses.
Introdução
O preenchimento glúteo ganhou visibilidade por prometer aumento de volume sem as incisões de uma cirurgia convencional. Entretanto, essa expressão reúne procedimentos realizados com materiais permanentes, absorvíveis e, em alguns casos, produtos irregulares. Como consequência, comparar apenas preço, quantidade de seringas ou fotografias de antes e depois pode ocultar diferenças relacionadas à permanência da substância, à possibilidade de tratar complicações e à autorização sanitária para determinada região corporal.
Além disso, o cenário brasileiro mudou em junho de 2026, quando o Conselho Federal de Medicina proibiu o uso médico do polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, como preenchedor. Essa mudança não liberou automaticamente outros materiais para aumento glúteo. No caso do ácido hialurônico, é necessário avaliar o produto específico, suas instruções de uso, o volume previsto, a anatomia da paciente e as evidências disponíveis sobre resultados e segurança.
O PMMA no glúteo está proibido no Brasil?
Para médicos, sim. A Resolução CFM nº 2.461/2026 proíbe o PMMA como substância injetável para preenchimento cutâneo ou volumização de partes moles em todo o território nacional, tanto para finalidade estética quanto reparadora. Além disso, a norma, vigente desde 2 de junho de 2026, preserva somente o tratamento da lipodistrofia em pessoas com HIV/aids no SUS, realizado em unidades credenciadas e conforme os protocolos do Ministério da Saúde.
Contudo, a proibição profissional do CFM (Conselho Federal de Medicina) não deve ser confundida com o cancelamento geral de todos os registros sanitários pela Anvisa. Em 2025, a Agência havia mantido produtos de PMMA para indicações reparadoras restritas, sem autorizar aumento glúteo estético indiscriminado. Posteriormente, o CFM estabeleceu uma vedação mais ampla para médicos, e a Justiça Federal negou, em julho de 2026, o pedido provisório que pretendia suspender seus efeitos.
Por que o PMMA passou a ser considerado inadequado como preenchedor?
O PMMA passou a ser considerado inadequado porque é um material permanente, capaz de produzir complicações tardias e de difícil tratamento. Nesse sentido, suas microesferas permanecem entre os tecidos e podem desencadear inflamação persistente, granulomas, infecções, endurecimento, necrose e deformidades. Granuloma é uma reação na qual o organismo tenta isolar uma substância que não consegue eliminar, formando nódulos que podem provocar dor, vermelhidão e aumento de volume.
Além disso, o CFM (Conselho Federal de Medicina) relacionou o produto a hipercalcemia, insuficiência renal e sequelas funcionais ou estéticas potencialmente irreversíveis. A literatura também documentou granulomas gigantes sete anos após aplicações de PMMA. Como o material pode se misturar à gordura, à pele e a planos mais profundos, sua remoção pode exigir cirurgias em etapas, deixar cicatrizes ou depressões e não conseguir eliminar toda a substância sem retirar tecidos saudáveis.
O ácido hialurônico pode ser aplicado nos glúteos?
O ácido hialurônico somente pode ser considerado quando o produto estiver regularizado e suas instruções de uso autorizarem a região, a profundidade e o volume planejados. Portanto, um preenchedor aprovado para sulcos faciais ou aplicação superficial não pode ser automaticamente injetado em grande quantidade nos glúteos. A autorização precisa ser verificada no registro específico do dispositivo, e não presumida apenas porque sua composição contém ácido hialurônico.
Além disso, a Anvisa classifica esses preenchedores como dispositivos médicos de risco III ou IV, correspondentes a risco alto ou máximo. Iribarren-Moreno et al. (2025) acompanharam 26 mulheres tratadas nos glúteos com média de 40,4 mL e máximo de 100 mL, observando mudanças relativamente discretas nas medidas corporais. Já De Meyere et al. (2014) utilizaram média total de 340 mL em 61 participantes, mas a percepção de melhora caiu progressivamente durante 24 meses.
O ácido hialurônico no glúteo é seguro por ser absorvível?
Não necessariamente. O caráter absorvível diferencia o ácido hialurônico do PMMA, mas não transforma o procedimento em uma intervenção simples ou livre de riscos. Além disso, a hialuronidase, enzima utilizada para degradar o gel em determinadas intercorrências, não garante a reversão completa quando existe grande volume, infecção, migração, resposta inflamatória ou comprometimento vascular.
Entre as complicações descritas estão dor, edema persistente, nódulos, assimetrias, deslocamento do produto, abscessos, biofilme e oclusão vascular. Nesse sentido, Nguyen et al. (2026) registraram infecções, reações imunes crônicas, migração e obstruções vasculares entre pacientes tratados com injetáveis de ácido hialurônico. Além disso, Uz, Yalçınlı e Efe (2020) relataram alterações respiratórias e neurológicas graves após uma aplicação glútea realizada em um centro de estética.
Como avaliar uma proposta de preenchimento glúteo?
A avaliação deve começar pelo objetivo corporal e pelo produto exato, e não pela promessa de determinado número de mililitros. Afinal, corrigir uma depressão lateral discreta é diferente de tentar aumentar toda a projeção glútea. Quanto maior a área e o volume pretendido, maior deve ser a atenção à indicação aprovada, ao plano anatômico de injeção, à qualificação profissional, à estrutura do estabelecimento e à disponibilidade de atendimento em caso de emergência.
Por outro lado, o ácido hialurônico não deve ser apresentado como substituto direto do PMMA apenas por ser absorvível. A lipoenxertia utiliza a própria gordura, mas envolve cirurgia; as próteses glúteas também possuem indicações e riscos específicos. Portanto, a consulta deve comparar durabilidade, previsibilidade, recuperação, disponibilidade de gordura e possibilidades de correção, além de confirmar registro, lote, volume, cartão de rastreabilidade e autorização do produto para uso corporal.
Qual é a forma mais segura de remodelar os glúteos após a proibição do PMMA?
A proibição do PMMA para preenchimentos estéticos reforça a importância de não escolher um procedimento apenas pela promessa de aumento de volume. Cada alternativa apresenta indicações, limitações, durabilidade e riscos diferentes. Por isso, a remodelação glútea deve começar por uma avaliação médica capaz de identificar o que realmente pode melhorar formato, projeção e proporção com segurança.
Com mais de 15 anos de experiência clínica e cirúrgica, o Dr. Bruno Matias (Médico - CRM/SC 27.628 | Cirurgia Geral — RQE 18025/SC | Urologia — RQE 18011/SC) atua em Balneário Camboriú com foco no contorno corporal e na remodelação glútea. Durante a consulta, são avaliados aspectos como estrutura corporal, distribuição e disponibilidade de gordura, qualidade da pele, composição corporal, condições metabólicas e objetivos da paciente, além da adequação e dos limites de cada possibilidade de tratamento.
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Considerações Finais
A Resolução CFM nº 2.461/2026 modificou de forma objetiva o cenário brasileiro ao proibir que médicos utilizem PMMA como preenchedor estético ou reparador, mantendo somente uma exceção vinculada ao SUS. Dessa maneira, a decisão reconhece que a permanência do material, o aparecimento tardio de complicações e a dificuldade de removê-lo podem produzir danos que ultrapassam o benefício esperado de um procedimento eletivo.
Por fim, o ácido hialurônico possui comportamento diferente, pois é gradualmente absorvido e pode responder à hialuronidase em algumas situações. Ainda assim, sua utilização glútea não é automaticamente autorizada, reversível ou segura. A indicação precisa respeitar o registro do produto, a região e o volume aprovados, além de depender de profissional qualificado, estrutura adequada e acompanhamento capaz de reconhecer e tratar complicações precoces ou tardias.
FAQ: perguntas frequentes sobre PMMA e ácido hialurônico nos glúteos
Quem já possui PMMA nos glúteos precisa retirar?
Não necessariamente. A retirada preventiva não deve ser decidida apenas pela presença do produto, pois a cirurgia pode causar perda de tecidos, cicatrizes e deformidades. Entretanto, dor, vermelhidão, endurecimento, secreção, aumento de volume ou sintomas sistêmicos justificam avaliação médica e exames direcionados.
O registro do PMMA na Anvisa permite que médicos continuem usando o produto?
Não. O registro sanitário e a autorização profissional são questões diferentes. Mesmo que existam produtos registrados para indicações específicas, a Resolução CFM nº 2.461/2026 proíbe que médicos utilizem PMMA como preenchedor, salvo a exceção prevista para o SUS.
O resultado do ácido hialurônico no glúteo é permanente?
Não. O ácido hialurônico é gradualmente degradado pelo organismo, e o efeito tende a diminuir com o tempo. Em uma avaliação de 24 meses, a proporção de participantes que ainda considerava o resultado melhorado caiu de 80% aos seis meses para 40% ao final do acompanhamento.
A hialuronidase consegue desfazer qualquer preenchimento com ácido hialurônico?
Não. A enzima pode degradar o ácido hialurônico em determinadas situações, mas o resultado depende do produto, do volume, da localização e da complicação existente. Infecção, necrose ou comprometimento vascular podem exigir tratamentos adicionais e deixar sequelas mesmo após a dissolução do gel.
Quais sinais após um preenchimento glúteo exigem atendimento imediato?
Dor intensa ou crescente, alteração de cor da pele, falta de ar, confusão, fraqueza, febre, secreção ou aumento rápido do volume precisam de avaliação urgente. Além disso, sintomas respiratórios ou neurológicos podem indicar uma complicação sistêmica e não devem ser tratados apenas com observação domiciliar.
Referências
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Dr. Bruno Matias
Médico · CRM/SC 27.628 · Cirurgia Geral — RQE 18025 · Urologista — RQE 18011





























